Blogs Alucinados


Josephine


Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?



Sexta-feira, Setembro 12, 2003

Poética Sem Muita Estética

Sem rima nem métrica
Já no final da madrugada
Subo a escada da simples imaginação
E vou até lá em cima arranhar o céu
E pedir à última estrelinha brilhante
Que me mostre o lugar mágico onde os astros vão descansar

E quando o dia vier
Radioso e glorioso
E eu retornar ao mundo das coisas
Mergulhado onde já não dá mais pé
Tentarei não perder a cabeça

Mas se a perder
E não mais a achar
Terminarei por ali mesmo
Sem pé nem cabeça

postado por: EDMUND BONAPARTE 12:18 AM



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Quinta-feira, Setembro 11, 2003

Continuando com essa história triste que eu iniciei em meu último (e tão distante) post (peço mil quatrocentas e trinta e sete desculpas por tão lamentável intermitência), conto hoje aqui a história de um outro tipo de homem cujo destino, se não é tão horrível quanto o do Homem-picolé, certamente não é nenhuma moleza. Refiro-me ao Homem-banana.

Coitado do Homem-banana. Vive sempre com um cacho de problemas para resolver em sua infecunda existência. É possível até mesmo dizer que esse sujeito leva uma vida vegetativa.

Ele começa seus dias muito verde para entender das complexidades desse mundo. Mas desde o início, como se já pudesse pressentir o peso de seu futuro, o Homem-banana já não consegue manter a confiança e se curva perante a vida.

E que vida ingrata. Ainda moço é posto para amadurecer sem que nem uma lição lhe seja dada. Não é a toa que muitos não resistem e viram chimia nesse mundo cão.

Mas boa parte resiste a essa prova inicial. Coisa que não lhes vale muito, pois logo são obrigados a ir para as ruas e vender seus corpos a preço de banana. Sim, ser um Homem-banana é muito humilhante.

Em cada lugar que vão, recebem apelidos. Banana-nanica, banana-catarina, banana-caturra e banana-d'água são alguns dos termos com os quais o Homem-banana é conhecido por essas bandas. Mas não se iluda, esses são somente alguns, pois existem pencas deles.

Sempre que podem, os Homens-banana se escondem nas matas e vivem em grupos. Quando em seu ambiente natural, são criaturas muito alegres, gregárias e vivem a brincar de plantar bananeiras.

Mas se vivem na natureza, os Homens-banana também o fazem com receio. Assim como quase todo mundo, eles têm muito medo de alguns animais, mas nenhum lhes causa tamanho pavor quanto um macaco. Acabar esfolado e devorado por um símio é um pesadelo para qualquer Homem-banana.

É, depois disso não é de se estranhar que o Homem-banana seja antes de tudo um revoltado. Mas, para sua infelicidade, ele não mostra essa revolta pra ninguém, preferindo manter esse sentimento escondido, pois ele sabe que por dentro não passa mesmo é de um grande molenga.

postado por: EDMUND BONAPARTE 12:16 AM



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Quarta-feira, Setembro 03, 2003

Costumam falar muito do Homem-aranha, do homem de Neandertal, do Homem-elefante, até mesmo do bicho-homem, mas nesse mundo injusto e devasso quase nunca falam do mais humilhado dentre todos os homens, o Homem-picolé.

O Homem-picolé é um indivíduo cuja vida, dura e fria, acabou por transformá-lo em um ser altamente anti-social. Ele até que tentou se enturmar algumas vezes, mas nunca conseguiu se sentir muito bem com o calor humano.

O Homem-picolé é o único homem do mundo que fica feliz por sua esposa ser uma geladeira. Ele tenta de todas as formas mostrar que é um sujeito que merece respeito, mas o máximo que consegue é ser chamado de docinho. Ou pior ainda, muitas vezes é chamado de frutinha, uvinha, ou coisas ainda mais degradantes.

O Homem-picolé sabe bem o que é ser embrulhado pelos outros. Muitas vezes ele somente encontra o descanso de seus males escondido dentro de um isopor.

O Homem-picolé é um caso sério de complexo de inferioridade, mas quem não seria se tivesse que passar a vida toda com um palito no traseiro.

O Homem-picolé é, antes de tudo, um sobrevivente. Raramente atinge seu prazo de validade. Quase sempre termina seus dias nas mãos de um boca-aberta, que certamente lhe tirará o suco.

A vida do Homem-picolé realmente é um grande abacaxi, é azeda como um limão e esfiapada como uma manga. E quem acha que é mole ser um picolé de morango que atire a primeira laranja.

Pobre homem-picolé, em suma (ou em sumo) ele é mesmo um grande pé frio.

postado por: EDMUND BONAPARTE 7:48 PM



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Segunda-feira, Setembro 01, 2003

Diretamente de nosso departamento de mitos ortográficos e fábulas gramaticais

"FÁBULAS ALUCINADAS"

O Dia Em Que A Língua Portuguesa Quase Acabou


No mundo das letras existem algumas palavras que são realmente problemáticas. Catástrofe, desgraça, tragédia, asquerosidade e pestilência são algumas delas, mas existem inúmeras outras.

Entretanto, poucas são tão problemáticas quanto aquelas que são escritas incorretamente. O pobrema é uma delas. O pobrema, sempre que pode, causa problemas. E como se não bastassem os problemas reais, volta e meia o pobrema surge, e com ele traz suas traquinagens. O que torna tudo muito problemático, quando não pobremático.

Conta a lenda que certo dia, sem ter o que fazer, o pobrema resolveu dar as caras na terra das letras (ele tem muitas caras, e todas bem feias). Começou perturbando alguns adjetivos. Como são muito inseguros, eles logo procuraram seus respectivos substantivos para desandar em lamentações. E o pranto que o diga, pois naquele dia foi o mais procurado.

Os substantivos não tardaram em procurar seus respectivos sujeitos, quando não eram eles mesmos esses sujeitos, para relatar as agressões em suas orações. Mas o pobrema não respeita orações de ninguém. Ele realmente parece não ter um pingo de religiosidade.

Os sujeitos contataram seus verbos. Esses, logo que souberam da questão, botaram a boca no mundo e ficaram lá, no gerúndio, falando, gritando, berrando, urrando, esperneando, esbravejando, chorando, implorando e toda sorte de manifestações exacerbadas, na tentativa de alertar as autoridades dos erros crassos e para que as leis gramaticais fossem novamente obedecidas.

A essa altura o pobrema, sempre indecente, já estava perturbando a beleza e a formosura, que descansavam às margens do lago das efemeridades.

Quando toda a história caiu nos ouvidos da sintaxe, a única que sabia dispor as coisas corretamente naquele mundo, ela, de imediato, foi aconselhar-se com a sabedoria, buscando uma solução para tão desalentadora presença.

Tudo teria de ser resolvido muito rapidamente, pois o pobrema já começava a causar tantos problemas que ameaçava destruir com qualquer tentativa de comunicação formal, informal ou técnica. Ele já ameaçava a própria estrutura da gramática, corrompendo os verbos e deixando-os inflexíveis. Começava também a confundir as concordâncias, engolir as vírgulas e dar sumiço nas crases.

Se algo não fosse feito com imediata agilidade, em pouco tempo a linguagem estaria tão deturpada que ninguém mais se entenderia corretamente. E onde só existe confusão é que o pobrema gosta de morar e procriar. No fundo, sua intenção era preparar o seu ninho, seu cantinho, de onde seria muito difícil retirá-lo depois de instalado.

Mas as forças da boa gramática e o pelotão de choque da língua culta logo uniram esforços e foram contra os problemas que o pobrema estava deliberadamente criando.

Depois de algum tempo, com muito estudo e muitos cadernos de caligrafia, as forças da língua portuguesa finalmente conseguiram erradicar grande parte dos males criados pelo pobrema. No entanto, ele mesmo, o pobrema, relutava com todas as suas forças em abandonar aquela terra.

E ele era forte. Em seu sonho de grandeza, sempre imaginava o dia quando o progresso seria freado pela ignorância que o acompanhava, e quando todos veriam o mundo com sua forma distorcida de enxergar as coisas. Tirava da confusão que criava seu incentivo para existir.

Mas o pobrema foi vítima do progresso que tanto abominava. Os livros escolares, os dicionários e a literatura em geral golpeavam seu ego e ameaçavam ofuscar seu sucesso. Quando tudo já parecia ruim para o pobrema, eis que chegam os computadores e seus corretores automáticos, munidos de milhares de palavras corretas e impedindo eficientemente a sua proliferação.

E quando, agonizante, ainda tentava sobreviver em algum caderno ou agenda, era impiedosamente engessado debaixo de uma camada de líquido corretivo. Triste fim para o pobrema.

Mas será mesmo?

Alguns dizem que não. Juram que ainda vêem o pobrema por aí, rondando, vivendo em algumas mentes que rejeitam o lucro que a cultura pode lhes fornecer e aproveitando-se de uma ou outra brecha que encontra pela frente.

Parece, segundo esses que o viram, que o pobrema tem depositado todas as suas esperanças na televisão e nos programas populares para continuar vivo e causando suas tragédias culturais.

Mas é bem verdade que tudo pode ser só paranóia mesmo.

postado por: EDMUND BONAPARTE 10:04 AM



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