Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?
Domingo, Abril 18, 2004
O Ponto Certo Das Coisas Não Tão Certas
Gosto de contar contos e dizem que quem conta um conto sempre aumenta um ponto.
Mas (e sempre quando digo um "mas" ele vem reforçado e com bastante intensidade) como sempre conto meus próprios contos, como posso aumentar um ponto?
Como, oh raios, posso introduzir o tal ponto se nem ao menos sei com quantos pontos meu conto deve ser originalmente feito? E pior, como ficariam meus contos se, por um descuido em minha alucinada tentativa de escrever meus contos com o número correto de pontos, eu o fizesse com um ponto a menos? Saberei eu dizer onde e quando estou acrescentando um ponto ou deixando de fazê-lo? Como continuar a escrever se posso, em minha então profetizada e fadada tendência ao incremento puntual, acabar por introduzir uma saraivada de pontos a tal ponto que me faça perder o ponto do conto?
Tal paradoxo me deixa em ponto-morto. Fácil era antes, quando eu não tinha conhecimento desse provérbio. Estava sempre em ponto-de-bala. Hoje estou como um ponto de interrogação, curvado e absorto em minha própria ignorância. Sim, é verdade. A que ponto cheguei...
Mas não aceito a derrota assim, tão facilmente - o que poderia ser considerado um ponto forte de minha(s) personalidade(s). Certamente alcancei meu ponto de saturação. A partir de hoje analisarei ponto-a-ponto meus textos e, tão certo como o "Morrinhos do Sul Futebol Clube" nunca será campeão do mundo, porei um ponto final em minha insana e incrementante pontuação. Não darei mais nenhum ponto sem nó. E isso é ponto pacífico!
Sim, muito bom é escrever sobre esses pontos. E, mesmo nem sempre pontual em meus horários, posso dizer que escrever tem sido o ponto culminante de minha noção criativa, embora seja somente o meu ponto de vista.
A verdade é que quando eu fico muito tempo sem escrever, acabo meio assim, sem pontos de referência, sem saber muito bem onde colocar os pontos nos "i"s. Parece que nem sei mais quando botar os pontos finais e termino desse jeito, escrevendo semi-acabadamente, como um ponto-e-vírgula qualquer.
Mas voltando ao velho assunto, que é o dos contos e seus pontos excedentes, posso dizer que esse desabafo me deixou bem mais confiante, quase em ponto-de-ebulição, visto que nele usei a maioria dos pontos que conheço e que, dessa forma, me sobrarão pouquíssimos deles para acrescentar em meus contos.
E como acabei de lembrar de um ponto que não usei, e como não se deve dar chance para o azar, termino meu texto ilogicamente e sem nenhum conto (e o que há para se reclamar das incoerências de um lunático?) mas com um magnífico e gritado PONTO DE EXCLAMAÇÃO!
postado por: EDMUND BONAPARTE 4:06 AM
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Sábado, Abril 17, 2004
Infelizmente não consigo escrever agora, terei que desmaiar por algumas horas devido ao dia exaustivo. Porém deixarei aqui, em homenagem ao
Cara Que Escreve, que mostrou-se saudosista, o texto (e a imagem) do Criado-Mudo, escrito em 26 de Abril de 2003:
Estava eu arrumando alguns papéis em casa quando, ao olhar para o meu armário, parei pra pensar em uma coisa:
- Porque os móveis têm os nomes que têm?
Para início de conversa, os meus móveis, pelo menos, não são nada móveis. Eles até que são bem fixos. E felizmente eles são assim, pois nem consigo imaginar a confusão que seria se cada dia, ao chegar em casa, eu os encontrasse em lugares diferentes.
Mas em relação aos nomes, não consigo entender por que mantemos alguns nomes que talvez até tenham tido um sentido no passado, mas que hoje soam muito inadequados. Armário, por exemplo. Eu não conheço ninguém que guarde armas no seu armário.
O que dizer das prateleiras? Se elas fossem prateleiras, no sentido real da palavra, seria permitido guardar somente pratos nela, o que é muito ditatorial para minha cabeça. Eu não poderia viver em um mundo tão limitante! Eu quero poder guardar até meu penico nas prateleiras, se assim o desejar, sem ter que me sentir mal por isso.
Mas nenhum, entre todos os móveis, tem o nome mais infame e humilhante do que o do criado-mudo.
Criado-mudo. Até parece idéia de algum nobre medieval:
- Faça isso certo, criado! Não foi suficiente eu ter lhe arrancado a língua?
Imagino que como hoje em dia não é mais possível arrancar as línguas dos indivíduos a nosso bel-prazer e chamá-los vexatoriamente de criados-mudos, resolveram então descarregar essa frustração dando esse nome ignóbil para o indefeso móvel.
Apesar de tudo, aqui em casa, as coisas são bem diferentes. Eu não trato meu criado-mudo como um criado-mudo, pois além dele não ser meu criado ele não pára de falar dia e noite.
postado por: EDMUND BONAPARTE 12:20 AM
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Sábado, Abril 10, 2004
Quase, caros amigos. Por cinco míseros minutos hoje não é ontem. Andei vasculhando os recônditos de minha memória e lembrei-me de um texto que estava soterrado nos arquivos do Patota's e que jamais poderia ficar abandonado no diminuto espaço destinado às coisas que já foram. Resgato-o pois agora do limbo em que se encontrava, salientando que ainda não encontrei resposta satisfatória para tal questão. Por isso este post preserva sua anacronicidade. Espero que lhes agrade e que não pareça post requentado, mesmo porque jamais conseguiria colocá-lo no microondas sem danificar o computador.
O som do silêncio
Hoje, relaxado e em silêncio profundo, passei a escutar aquele zumbidinho que fica nos ouvidos quando todos os outros sons vão embora. Tentava decifrar se era real ou somente mais uma alucinação de minha cabeça.
{Aqui vale parênteses: digo "alucinação de minha cabeça", pois esses dias meu cotovelo começou a alucinar também e, como todo o cotovelo, ele fala pelos cotovelos}
Fiquei impressionado com a capacidade do cérebro em criar tais chiados, apitos, tons de telefone, sons de emissora de televisão fora do ar, entre outras manifestações acústicas bizarras que costumam pulular quase despercebidas em sua insignificante intensidade em nossos órgãos auditivos. Somente o silêncio absoluto as revela.
Tentando pôr-me a par das causas dessa ímpar ocorrência, designei uma comissão de investigação de assuntos acústicos para averiguar o estranho mistério. Devido à falta de recursos financeiros para bancar tal comissão, decidi que eu integraria todas as atividades do grupo (é só fazer as contas e ver o quanto eu poupei em salários, tributos trabalhistas, planos de saúde, vales-transporte e vales-refeição).
Cheguei, com tal estudo, a algumas conclusões interessantes:
1- Não são alucinações.
Isso eu posso afirmar, pois tomei caixas de antialucinógenos para assegurar-me da legitimidade sonora de meus zumbidos (sofri uma pequena intoxicação medicamentosa ao ingerir tão grande quantidade de antialucinógenos, mas isso é uma outra história) .
2- Não há criaturas minúsculas enfiadas em meus ouvidos tentando comunicar-se comigo.
Essa era uma teoria que eu vinha desenvolvendo. Segundo ela, haveria alguns milhares, ou até milhões, de microscópicas criaturas falantes entocadas em meu canal auditivo, desesperadas por me falar alguma coisa. Tamanha quantidade de seres em tão reduzido espaço, todos gritando e falando ao mesmo tempo, proporcionaria aqueles ininteligíveis efeitos sonoros. Descartei essa hipótese ao analisar uma amostra do resíduo em meus ouvidos (comumente conhecido como "cera") e descobrir que não existiam outras criaturas senão aquelas que normalmente residem em nossos corpos. É uma verdade universal aquela que diz que somos tomados por trilhões de criaturas que vivem e alimentam-se dos nossos corpos. Infelizmente nenhuma delas parece ter desenvolvido a faculdade da fala.
3- Eu não estaria recebendo milhares de sinais de rádio de origem terrestre e extraterrestre através das obturações em meus dentes e que, devido à confusão criada pela sua mistura das ondas, pareceriam mais com zumbidos e chiados.
Andei algumas horas com a cabeça envolta por panelas e papel metalizado na tentativa de construir um escudo e isolar os sinais eletromagnéticos externos que estariam criando tamanha manifestação física. Tudo em vão. Os zumbidos continuaram, misturando-se aos falatórios das pessoas que me viam com panelas na cabeça, mas que não entendiam que se tratava de uma simples experiência científica.
Restou ainda uma quarta teoria. Lamentavelmente não pude testá-la. Trata-se da suspeita de que tais sons são simplesmente criados pelos circuitos nervosos do córtex cerebral.
Para tirar essa dúvida, eu precisaria submeter-me a uma pequena cirurgia cerebral. Resolvi, devido ao unitário número de indivíduos em minha comissão de investigação, que não seria seguro eu mesmo realizar tal procedimento em meu cérebro. Não consegui encontrar uma solução para o problema que seria auto-operar-me anestesiado.
Creio que terei que deixar a questão dos misteriosos zumbidos em aberto.
Bem, antes ela que minha cabeça.
postado por: EDMUND BONAPARTE 12:04 AM
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Terça-feira, Abril 06, 2004
Dez acontecimentos que atravancam a vida de qualquer um (em ordem crescente de atravancamento):
1- Sair atrasado de casa.
2- Sair atrasado de casa e cair na rua.
3- Sair atrasado de casa, cair na rua e ser assaltado.
4- Sair atrasado de casa, cair na rua, ser assaltado e ter a cabeça alvejada por cocô de pomba.
5- Sair atrasado de casa, cair na rua, ser assaltado, ter a cabeça alvejada por cocô de pomba e ser perseguido por um pit bull assassino.
6- Sair atrasado de casa, cair na rua, ser assaltado, ter a cabeça alvejada por cocô de pomba, ser perseguido por um pit bull assassino e ser alcançado pelo pit bull assassino.
7- Sair atrasado de casa, cair na rua, ser assaltado, ter a cabeça alvejada por cocô de pomba, ser perseguido por um pit bull assassino, ser alcançado pelo pit bull assassino e ser levado para um hospital do SUS.
8- Sair atrasado de casa, cair na rua, ser assaltado, ter a cabeça alvejada por cocô de pomba, ser perseguido por um pit bull assassino, ser alcançado pelo pit bull assassino, ser levado para um hospital do SUS e ficar deitado em um corredor imundo por falta de leito.
9- Sair atrasado de casa, cair na rua, ser assaltado, ter a cabeça alvejada por cocô de pomba, ser perseguido por um pit bull assassino, ser alcançado pelo pit bull assassino, ser levado para um hospital do SUS, ficar deitado em um corredor imundo por falta de leito e receber um olhar maligno de um funcionário que ganha comissão de uma funerária por cada presunto que encomenda.
10- Deixo este pra você completar, pois nem ouso imaginar algo mais.
postado por: EDMUND BONAPARTE 7:51 PM
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