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Josephine


Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?



Terça-feira, Junho 29, 2004

Diretamente Do Nosso Departamento De Mitos Dilacerados E Alegorias Amputadas:

"FÁBULAS ALUCINADAS"

Os Joanetes Do Seu Oliveira


No boteco, "seu" Oliveira, homem bruto e de pensamento curto, resolveu dar fim ao seu martírio. Arrancaria os joanetes que por décadas o atormentavam, e o faria a qualquer custo:

- Vô arrancá essa porquera dus meus pé, e vô arrancá eles no esmeril! - dizia, com ar de machão, aos seus amigos igualmente embrutecidos - Vô fazê e depois vô mostrá pra vocês como é que hômi de verdade trata de pereba!

E foi embora, sob o olhar admirado de seus companheiros de bebedeira, levando consigo o enorme bem-estar que todo o idiota sente ao dizer uma besteira.

Mas como falar é infinitamente mais fácil do que fazer, quando, por fim, resolveu estraçalhar a parte terminal de seus membros inferiores na rotativa máquina, seu Oliveira, aterrorizado com a ferocidade do abrasivo instrumento, foi direto para casa, meditando na asneira que havia feito:

- I agora, como vô fazê pra atorá esses mardito joanete? Si eu fizé isso, provavermente nunca mais vô andá, i si andá vô fica mancando qui nem um cachorro atropelado pro resto da vida. Mais si eu não fizé essa melequera vô fica cum fama de covardão e nunca mais vô te corage de saí di casa. Ai, minha nossa sinhora das agrura... i agora?

A essa altura dos acontecimentos, todos já sabiam da intrépida promessa que seu Oliveira havia feito, a de que iria extrair seus joanetes de forma bárbara e definitiva. Seus amigos e vizinhos já se acotovelavam em frente à sua casa, na esperança de presenciar os sinistros preparativos que tamanha loucura certamente exigiam.

A cada hora, para desespero de Oliveira, a multidão de curiosos duplicava, e como vampiros sedentos pelo sangue alheio, aguardavam impacientemente pelo seu banquete. Fugir já era impossível. Caravanas vinham das cidades vizinhas, trazendo mais testemunhas para o medonho acontecimento.

- Ai, minha nossa sinhora dos dedinho esfacelado, qui cacaca eu fui fazê! Como é que eu vô mi livrá dessa burrice qui eu fiz?

O povo lá na rua já não queria saber de esperar mais. Exigia seu holocausto, e já. Seu Oliveira, desesperado, fez algo que raramente lhe ocorria, teve uma idéia:

- I si eu amarrá uns bife nos pé, colocá umas meia e depois uns sapato? Daí é só passá no esmeril até chegá nos bife e todo mundo vai achá que eu atorei os joanete todo, enquanto meus pé estão lá drento, sãos e salvo!

Parecia um plano perfeito, mas:

- Mais i si o povo vê qui não tá sangrando eles vão disconfiá qui é só um trambique mermo. Tenho qui fazê essa trocera sangrá di argum modo...

Ao falar isso, olhou para casal de porquinhos-da-índia que sua velha mãe havia lhe dado e que ele muito odiava (o casal de porquinhos-da-índia, não sua velha mãe, obviamente) e disse:

- Antes ocês du qui eu, seus camondogo! - E passou a faca nos pescoçinhos dos pequenos roedores.

Encheu então dois saquinhos com sangue e os colocou estrategicamente dentro dos sapatos.

A turba babava e delirava enquanto seu Oliveira saía de casa carregando um antigo, enferrujado e, por que não dizer, funesto esmeril.

Todos estranharam o fato de seu Oliveira estar de sapatos, já que não tinha o costume de utilizá-los, a não ser em casamentos e funerais. Oliveira, vendo a surpresa dos curiosos, disse:

- Esses sapato são pra não perdê tempo e ir logo na capitar comprá um anzor e linha di pesca pra eu costurá as ferida. Depois vô aproveitá meus novo pé e passá uns dias caminhando lá na cidade.

- Ooooooooh!!!- Disse o povo, deslumbrado com tamanha bravura.

Oliveira ligou o tenebroso engenho com pavorosa calma. A multidão mal conseguia respirar de ansiedade. Oliveira levantou a perna e, com um olhar de infinito autocontrole, enfiou o pé direito na pedra.

O sangue espirrava, misturado com o couro, borracha de sapato e pedaços de meia. Oliveira franzia levemente a testa, como se controlasse infernal dor, para depois soltar um sutil sorriso de canto de boca, desdenhando de seu suposto sofrimento.

O povo urrava em medonho prazer.

Levantou então a outra perna e, da mesma forma, lançou seu pé no furioso dispositivo.

- O-LI-VEI-RA! O-LI-VEI-RA! O-LI-VEI-RA! - Berrava a horda enlouquecida.

Oliveira desligou a máquina, deu alguns passos em direção à multidão, fitou-a calmamente, mostrou as feridas em seus pés e, como prova de sua coragem, bateu-os no chão e saltou como um filhote de canguru (com todo o cuidado para que os bifes não saltassem longe, é claro). Depois pegou seu carro e partiu, deixando a todos em profundo êxtase e abissal admiração.

- O-LI-VEI-RA! O-LI-VEI-RA! O-LI-VEI-RA! - Descabelava-se aos gritos a rouca multidão.

Partiu então o seu Oliveira, mas não para passear. Na cidade, entrou na primeira clínica traumato-ortopédica que encontrou e pediu que lhe tirassem os joanetes, mas não sem antes certificar-se de que receberia bastante anestesia, pois não suportava sentir dor. Pediu também que lhe deixassem horríveis cicatrizes na região, já prevendo que um dia alguém poderia ver seus pés.

Voltou poucos dias depois para sua cidade, onde foi saudado como herói da região. Seu nome virou lenda em todas as cidades da redondeza e os pais, com orgulho, batizavam seus filhos com o nome do seu Oliveira (que, diga-se de passagem, era Hermenegildo).

Alguns meses mais tarde seu Oliveira candidatou-se a prefeito, ganhando de lavada. Logo de cara fez o que de melhor sabia fazer, meter os pés pelas mãos.

Viveu uma vida longa e feliz, temido e respeitado por amigos e inimigos. Morreu de tétano alguns dias depois de espetar uma agulha no mindinho.

Mas sua lenda perdura até hoje, apesar de ninguém mais saber de quem é o busto na praça e apesar, também, do povo sempre trocar seu nome pelo de algum outro quando conta essa história.

(Mas tenho quase certeza que isso aconteceu com o seu Oliveira mesmo)


Moral: O povo adora uma ilusão, portanto nunca poupe em efeitos especiais.

postado por: EDMUND BONAPARTE 10:54 PM



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Sábado, Junho 05, 2004

Há muitos anos, antes de conhecer Edmund, durante a minha infância, conheci um menino americano. Um ano mais velho do que eu, ele falava português sem sotaque, mas não lia, nem escrevia nada. Brincávamos juntos e eu guardo boas lembranças daquele tempo. Ficamos uns sete anos sem nos ver e nos reencontramos na adolescência, eu a menina tímida de aparelho e ele o garoto mais bonito e cobiçado da turma.

Ele não se lembrava de mim, mas comecei a gostar dele (como 99% das garotas da época). Aquele gostar da adolescência que não é absolutamente nada, mas que a gente acha que é absolutamente tudo!!! Sem saber como fazer uma aproximação decente, eu sempre ficava de olho, mas mantinha uma certa distância.

Houve um momento, porém, em que tivemos que preencher algumas fichas para um grupo de street dance do qual fazíamos parte...ou melhor, ele não fazia, na verdade não me recordo bem o que ele estava fazendo lá naquele dia, mas sei que tinha um papel para todo mundo preencher....não, acho que era do grupo de estudo, não estou bem lembrada, só sei que todo mundo tinha um formulário a preencher, ele também. Ele olhava, intrigado, para o papel. Pobrezinho- pensei- está envergonhado de dizer que não está entendendo nada. Solidária, me aproximei e disse:

-Quer ajuda?
-Ajuda?
-É, deixa eu te ajudar - disse, discreta - se você quiser eu leio para você, você responde e eu escrevo, ninguém vai notar.

Ele, ainda mais confuso, deu um sorrisinho de quem não estava entendendo muita coisa e respondeu:
- Mas...moça, eu sei ler! Obrigado, não precisa.

Claro, Josephine, sua anta, ele teve sete anos para aprender!!! Esse foi meu primeiro desastre amoroso. O primeiro de muitos, alguns com esse mesmo garoto, coitado. Depois nos tornamos amigos e hoje ele está de volta à terra dele, já casado, não o vejo há exatos sete anos. Olhando para trás vejo que eu nunca me dei bem com pessoas normais, elas sempre me achavam maluca, não sei bem por quê. O único que me viu como e eu realmente sou, normal e centrada, foi Edmund. Talvez ele seja o único realmente sóbrio da lista. Ou não.

PS: Blanda, valeu pela força!!

Flip-Flop, sugestão anotada. Se bem que de nada adianta anotar, vou tentar seguir sua sugestão. Se bem que eu fico triste quando não consigo um texto longo e bem elaborado, não sei se funciona, mas vou tentar.

Alencar: Pequena gafanhota?...risos...tinha um amigo que me chamava de pequena gafanhota. Ele era meio maluco.

Thiago, pare de me enganar e faça já seu blog! E cuidado com esse Ninguém, ele é perfeito e de ferro. Pode ser perigoso. E eu compro rumo, caso você comece a vender. Ficará rico.

Bom saber que vocês ainda visitam este blog!! :) :) :) Me deixaram feliz e motivada. Respeitosos beijos animados a todos!!!

postado por: JOSEPHINE BUTTERFLY 12:36 AM



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