Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?
Terça-feira, Novembro 23, 2004
O Porquê Da Questão
Sempre que me vejo em situação de extraordinária dúvida e aflitiva curiosidade, não posso evitar me perguntar o porquê disso tudo e o porquê dessas coisas todas (nem sempre nessa ordem, mas sempre com igual intensidade).
Todavia, quase nunca me pergunto, já que na hora "H", quando a cruciante questão se apodera de minha mente, eu nunca sei onde, quando e como usar esses porquês. Porque, como você já deve ter ficado em dúvida e se recordado também, existe uma família inteira de porquês, todos eles felizes e saltitantes como aqueles cachorrinhos que as madames costumam arrastar pelas ruas, doidos para receberem atenção de seres que quase nunca sabem como dá-la corretamente.
E aí eu me incluiria até as galochas, caso eu as usasse.
Os porquês são todos parecidos, mas cada um vem assim, cheio de significados, cheio de mistérios, que só aquele povo bem letrado e de boa memória sabe desvendar e se lembrar sempre e em profundidade. Eu até desconfio que foram eles mesmos que criaram esses bichinhos somente para nos aturdir e nos lançar em gramatical desespero. Mas o importante é não entrar em pânico, já que certamente irão me perguntar o porquê do desalento, e de porquês eu já estou cheio.
É de boa prática então não se deixar levar pelas aparências dos porquês na hora de se aproximar de um deles. Porque os porquês podem ser muito cruéis com quem os emprega sem atenção - são péssimos empregados -, principalmente quando você está fazendo um concurso público, um vestibular ou qualquer um desses testes projetados para fazer com que nos sintamos ignorantes e ineptos.
Os porquês colaboram ativamente com o sistema de ignorância pública (nossa mais sólida instituição brasileira).
E quando vejo tudo isso só me resta dizer... por que?...ããh... ou será porquê?...talvez porque?... ou por quê?
Bem, tanto faz. Desisti de saber o porquê desses porquês. De agora em diante vou tentar usar somente um "por qual razão?".
E que ninguém me pergunte por que, pois não quero nem fazer a menor idéia.
Atenção: Os produtores desse blog garantem que nenhum dos porquês aqui utilizados foi vítima de maus-tratos de qualquer tipo. Por quê? Também não sabemos, pois que eles merecem, merecem.
Também não nos responsabilizamos pelo mau uso desses porquês neste local, tenham sido eles empregados como substantivos, conjunções subordinativas causais, conjunções subordinativas finais, conjunções coordenativas explicativas ou de qualquer outra forma que você porventura - ou desventura - venha a encontrar nesse texto.
-------------------------------------------------
Comentários deste post:
"Vc me confundiu terrivelmente com todos esses porques!
Eu nunca me deu bem com eles!
pior que os porques só as tabuadas pra me fundir a cuca.....
ninguém merece
beijocas"
Livs 11.24.04 - 10:22 am
"E por que, ó, por que nos assolas com tantos porquês? Por quê? :) Desespero-me porque sei que escorrego nos porquês, e por que não o faria?
Ótimo, como sempre :)"
Laly 11.24.04 - 4:09 pm
"Por que dar tanta atenção aos porquês? Eu, particularmente, acho que já consegui adestrá-los. Não sofra, faça com que eles te obedeçam, com que percebam que você é mais forte do que eles e que eles não podem dominá-lo.
Ei, muito me alegrou ver, ao final do texto, que nenhum porquê saiu ferido de toda essa elocubração.
Amo seus textos metalinguísticos! Aliás, amo seus textos!
Beijos"
Van Lampert | 11.27.04 - 10:52 pm
"Sabe estava a navegar na internet procurando algo que não sei ao certo.Pronta para qualquer coisa, mas não para um blog ter assunto realmente substancial.Gostei do seu texto bem escrito e que realmente demostra alguma coisa...abaixo os por ques da vida....vamos por qual razão.Continue assim.Só não fale mais de por que....e não me pergunte porque?"
Juliana | 11.29.04 - 1:31 pm
"Completamente alucinado com seus textos!!!! Entro mais de uma vez por dia releio tudo !!!!
parabens"
gabriel | 11.30.04 - 9:08 am
"Exatamente. As razões e motivos dos "porques" que fiquem em seus devidos lugares: provas, convursos, vestibulares. No nosso espaço virtual, damos aos "porques" o tratamento que bem queremos. E viva a falta de porque dos "porques"!!! :D"
Helinho | 11.30.04 - 2:41 pm
"Sabe, sempre passo aqui...
e como sou um pouco (leia-se extremamente) desligada nunca comentei... mas cá estou eu dando o ar da minha desgraça aqui!!!
heuehuehe, então passar bem!!
Bjouxx
Ahhh esqueci de dizer q escreves mto bem, e estou apaixonada pelos seus textos... eles me deixam feliz! =D
Tanto os de edmund qto os de Josephine, vcs me deixam feliz!!!
estou tão feliz, q minhas mãos nao conseguem parar de esquever...
(controlen-se, eles vão pensar q sou louca..)... pronto elas estão sob controle e eu me vou...
até a próxima!!
Bjoux"
Fêêêê | 12.01.04 - 6:03 pm
"Queria agradecer mais milhares de vezes por você existir Edmund. Vc faz a alegria e valer a pena de todas as minhas passagens pela net."
gabriel | 12.02.04 - 4:22 pm
postado por: EDMUND BONAPARTE 6:09 PM
Alucine aqui você também:
Sexta-feira, Novembro 19, 2004
Pequena Peça de Lógica Impura II
A vaca, animal pacífico,
muge.
O leão, besta feroz,
ruge.
Conclusão: Cuidado! Atrás de uma simples letra pode se esconder um predador.
postado por: EDMUND BONAPARTE 11:30 PM
Alucine aqui você também:
Segunda-feira, Novembro 15, 2004
Sem noção
Andei sem noção alguma. Levantei da cama e em poucos passos acertei em cheio a parede. Acordei sem noção de distância.
O cão que se rasgava em latidos na casa ao lado, presumi que sofria de Latinismo. Pensei sem noção de significado.
Vi um padre na rua, achei que precisava de uma benção. Pedi uma unção, uma das grandes, que me curasse da falta de noção, pedi-lhe uma unção máxima. Pedi-lhe a extrema unção. Agi sem noção religiosa.
Faminto, entrei sem perceber em um restaurante caríssimo, entrei no primeiro que vi, e comi como um rei. Comi sem noção de preço.
E no chique restaurante paguei o pato. Paguei também todos os outros animais e vegetais que devorei.Paguei sem noção de valor.
Trabalhei muitas horas extras para saldar minha dívida. Trabalhei sem noção de tempo.
Sem noção do que fazia, fui viajar. Viajei sem noção de destino.
Escalei montanhas, sem noção da altura. Atravessei rios repletos de crocodilos, sem noção do perigo. Tentei voltar para casa, mas não tinha noção de onde morava.
Caminhei pela cidade, sem noção do cansaço. Tentei entrar em um táxi que vi, mas era um táxi de brinquedo. Agi sem noção de tamanho.
Finalmente encontrei minha casa. Demorei duas horas para colocar a chave na porta. Havia perdido a noção de profundidade.
Caí na cama e a ocupei totalmente, sem noção de espaço. Dormi por dias, sem noção do meu sono.
Acordei e escrevi esse texto. Sem noção de ridículo.
postado por: EDMUND BONAPARTE 1:22 PM
Alucine aqui você também:
Segunda-feira, Novembro 08, 2004
Tratamento de Choque
Eventualmente dispenso algum tempo para conversar com meus móveis que, afinal, são seres vivos, como qualquer animal, vegetal ou mineral que perambula pela face da Terra, acima dela ou em seu interior.
Esses dias resolvi conversar com meu televisor, pois o problemático aparelho continuava com um terrível problema de auto-imagem (ele é um televisor atravessando uma aparente crise de meia-idade). Disse-me ele:
-Oh, Edmund! Sinto-me um traste. Não vejo sentido em continuar assim. Acho que perdi a sintonia com este mundo. Se ao menos eu fosse um televisor de plasma...
Pobre máquina! Tinha que dizer alguma coisa para animá-lo (*):
- Bem, caro amigo, ao menos você...deixe-me ver...hã...ao menos você não é valvulado! - Disse, realmente tentando ajudar.
- É isso, Edmund! Eu sou uma obsolência viva, um anacronismo que ainda teima em persistir. Vá para o seu computador com monitor de tela plana! Dessa sucata aqui não há mais o que se possa tirar!
Desconfiei que ele andava assistindo muito daquelas medonhas novelas mexicanas ultimamente, mas isso eu não iria suportar. Estava na hora de cortar essa onda! Obviamente, eu precisaria encontrar um meio eficaz de persuadí-lo, eu precisava de um canal de comunicação:
- Deixe de drama, caro televisor, sua vida até que é muito boa!
- Drama?? - Respondeu - Minha vida é um suspense atrás do outro! Perdi meu brilho há tempos, minha vida não tem mais cor, é só um grande contraste! Minha vida é, em suma, um enorme e mal feito filme de terror sem fim!
A essa altura, minha tolerância já demonstrava claros sinais de intolerância.
-Pois bem, caro televisor, então vamos dar um fim nessa história sem fim. Irei trocá-lo por uma torradeira nova, pois se o seu objetivo é torrar, que seja então pães, e não minha paciência.- Às vezes é preiso ser muito enérgico com esses eletrodomésticos.
Nesse momento, a vida inteira do desajustado televisor passou por sua cabeça. Quinhentas e setenta e quatro sessões da tarde, mil seiscentos e vinte e dois telejornais, mil setecentos e trinta e oito documentários, dois mil cento e cinquenta e três desenhos animados, seiscentos e quarenta e dois programas de entrevistas, entre outra infinidade de programas que todo televisor acaba por passar.
Por vários minutos ficou o televisor ali, parado (como de fato normalmente ele fica, coisa que muito me agrada), aparentemente meditou bastante no que aconteceu e disse:
-Já é tarde, Edmund, acho que já está na hora de descansar. Amanhã é um novo dia e quero estar bem antenado.
Coincidência ou não (quase certo que não), ele voltou a funcionar corretamente. Soube que andou fazendo amizade com o aparelho de videocassete e que costuma ficar várias horas vendo filmes antigos e dando risadas. Menos mal, pois, pessoalmente, não sou um grande fã de torradas.
Entretanto, atualmente o que de fato vem me preocupando é essa aparente tendência à cleptomania que meu aspirador de pó vem apresentando. Estou pensando muito seriamente em ir morar no mato, coisa que somente não faço pois detesto morar no mato.
(*) Se eu tivesse escrito "tinha que dizer alguma coisa para o animar", eu poderia ser confundido com um caipira mal-educado, o que tiraria completamente o sentido do texto.
postado por: EDMUND BONAPARTE 12:35 AM
Alucine aqui você também:
Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Tempo de Mudanças
Minha amada namorada me deixou...
Na realidade, ela deixou este blog e não a mim, coisa que me deixou triste, dentro da felicidade dela não ter me deixado e feliz, dentro da tristeza dela ter deixado este blog.
Obviamente que tal partida teve seu motivo. Minha amada Josephine, atirada nesta terra de loucura no final do ano passado, veio, com sua beleza e suavidade salvar este blog da inanição à qual eu o expunha, devido às intensas e fustigantes atividades reais e imaginárias (nunca consigo diferenciá-las) que eu criei ou que criaram para mim neste mundo.
Este blog teria perecido amargamente, sendo lançado nas sombras dos tempos, não fosse essa formosa interventora. Sim, Josephine salvou-me de enviar este blog, em uma das minhas crises de dupla personalidade, ao vácuo do esquecimento em um nano-segundo, quando impediu-me de apertar o famigerado "Deletar este blog" (na realidade era Sigmund, minha outra personalidade, quem desejava deletá-lo, coisa que vem tentando fazer há muito tempo).
Agora que minha medicação eu venho tomando com fiel regularidade e agora que Sigmund, minha alucinada outra personalidade, encontra-se sob controle, entretido com alguns quebra-cabeças que comprei, Josephine sentiu-se segura para colocar este diário novamente em minhas mãos.
Josephine novamente está livre, livre para fazer seus afazeres e criar seu próprio blog, sem medo de que eu suma e reapareça somente dentro de várias semanas, saído de um armário por aí, vindo de uma abandonada fábrica de salsichas ou cuspido da Dimensão-Zeta, como de fato e de verdade me aconteceu (quem duvida que veja nos arquivos e comprovará, com absoluta certeza, a veracidade dessas inverossímeis aventuras).
Agora, minha adorada Josephine ButterFly criou (e está tratando com todo o carinho que um ser vivo merece) seu próprio blog (
/www.manteigavoadora.blogger.com.br), no qual tenho certeza que será muito feliz e que se encherá de satisfação.
Eu, como um grande intrometido que sou, certamente intrometerei-me lá de vez em quando, já que minha idolatrada namorada cometeu o irremediável erro de me passar a senha do blog.
Certamente serei bastante inofensivo, mas é claro que não posso responder por Sigmund.
Um fortíssimo abraço e um indescritível beijo para você, minha amada, idolatrada, salve, salve, namorada
Josephine !
postado por: EDMUND BONAPARTE 12:21 AM
Alucine aqui você também: