Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?
Sábado, Dezembro 18, 2004
E Os Dias Passam...
Vejam minha situação. Sou daquele tipo de indivíduo que faz tudo pensando em tudo o que faz e em tudo o que deixa de fazer. Sou daqueles que vê, em todo o dia que amanhece, grandes oportunidades a serem exploradas e essas mesmas oportunidades perdidas no dia que passou. E isso todos os dias. Uma verdadeira rotina.
Aflita iniciativa que diariamente vem e dá as caras, mas não consegue entrar na sala, sentar e conversar. Deve ter medo de gente.
Não deveria, pois o que mais há nesse mundo é gente. E há tanta gente nessa bolota azul que se os chineses, somente eles, pulassem todos ao mesmo instante...sei lá eu o que aconteceria. Não sei mesmo. Ainda não passaram esse capítulo no meu programa favorito, "O incrível mundo do vácuo absoluto".
Mas já que eu levantei a questão, imagino que um bilhão e duzentos milhões de habitantes com quarenta quilos de peso, em média (para ser conservador, já que deve existir um monte de chineses bem miudinhos na china), perfazendo um total de quarenta e oito milhões de toneladas de material humano, todos pulando ao mesmo instante uns quinze centímetros (novamente para ser conservador, pois deve existir um monte de chineses com problemas de articulação), poderia muito bem causar um violento terremoto em escala global. Ou não. Realmente não faço a menor idéia.
Mas suponhamos que sim, que os chineses pudessem causar apocalípticos terremotos. Não seria muito melhor que utilizassem esse poderio saltitante para ameaçar o mundo do que suas armas atômicas, cujos custos de desenvolvimento são altíssimos, ou outras tecnologias igualmente dispendiosas. Seria um verdadeiro negócio da China para a China.
Mas agora voltando ao início do texto, fica bem fácil entender o que eu estava dizendo. O dia se escancarava com inúmeras oportunidades e eu o gastei todo pensando em chineses saltadores.
Lamentável.
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Comentários deste post (o haloscan os deleta de tempos em tempos, daí a importância de copiá-los em local mais seguro onde continuem visíveis):
"Pena não ter um diretor de programação com cabeça limpa o suficiente para achar novos(ou não, mas que pelo menos tenham)talentos.Suplicariam episódios do Lunático...Seria perfeito para uma peça de teatro, perfeito para televisão,perfeito e inovador para o rádio e nem se fala em quadrinhos já que ainda teríamos a chance de você fazer parte de ainda mais uma parte do processo para levar ao grande público,que logo clamaria por ter isso no cinema.É realmente muito estranho soltar essas viagens,pq afinal não te conheço(apesar de reler todo o blog milhões de vezes) não sei o que faz o ou o que já fez com sua genialidade.A questão é que a internet da aos gênios famosos e super reconhecidos à oportunidade de provar o anonimato.E talvez seja isso que queira.O que viajo nas peças e outras montagens que faço com seus textos na cabeça acho que é mais é vontade de que tenha outras oportunidades de ver mais da sua criatividade e roteiro impressionantemente bem escritos(não sei escrever bem,mas sei muito bem quando uma coisa me emociona). Agora vai sobre o texto pq detesto quando as pessoas falam, falam e não comentam o que ta escrito. Meu cachorro tem o mesmo problema nas suas aulas de adestramento diárias, ele não obedece e não faz nada do que mando não por indisciplina, mas ele se distrai muito fácil com cada lição (espero eu) já que ele pode estar matutando um plano de juntar seus iguais e afogar os humanos em baba. E até mais ver."
Gabriel | 12.18.04 - 2:35 am
"Tem gente demais nesse mundo, mesmo.
E pensar que a capacidade do mundo é de 100 trilhões de pessoas sem que haja falta de terra produtiva e sobrando 6 km quadrados por pessoa.
Ah, eu usei uma imagem antiga sua (com crédito, claro)para ilustrar um post meu. Se você quiser que eu tire, por favor avise."
Flávio | 12.18.04 - 4:23 pm
"São nas horas que pensamos estar desperdiçando que surgem as grandes idéias... às vezes, não... mas precisamos dessas horas para que elas apareçam um dia.
Um abraço!"
Pat | 12.22.04 - 4:22 pm
"Os chineses podiam usar isso pra ameaçar os EUA.
- Não vai ser nosso aliado? Olha que a gente pula, hein!
- Não não, por favor! Faço o que voces quiserem!
- Acho bom."
edu | 12.29.04 - 12:26 pm
"ehehe, essa dos chineses foi muito boa. mesmo. Fazia tempo que eu não vinha aqui. Foi bom rever o blog. Faça o mesmo. Um abraço"
Tustra | 01.02.05 - 5:44 pm
"quando a gente pensa que so pensa besteira surge solução da nossa vida, ócio criativo... bom blog"
zero | 01.06.05 - 2:37 am
"oi adorei teus pensamentos na verdade , vc naum perdeu teu tempo pensando em chineses saltadores... é uma maneira criativa de imaginar a vida ,, eu tambem vijo assim como vc ,,, bjaumm fuixxx "
RAFAELA | 24-12-2004 08:57:39
"Sabe, eu parei de me preocupar com os dias que passam e levam as oportunidades lá para longe. Quando vejo uma oportunidade passar por mim, tento agarrá-la pelos cabelos. Nem sempre é possível, portanto não se torture. Às vezes é importante pensar em chineses saltadores. Não sei exatamente por quê, mas eles devem ter alguma utilidade prática que supere a eventual perda de oportunidades pelo caminho. Não sofra. A propósito, acabo de ver seu blogchalk à esquerda. Você mora em Pinelópolis? Preciso conhecer esse bairro em Porto Alegre...risos... e "psicologia mobiliária" me parece ser uma atividade bastante interessante...risos...só você mesmo, Ed. Beijos! "
Van Lampert | 28-12-2004 12:40:46
"achei esse blog uma porcaria pelo nome parece divertido mais quando vc entra nele vc ve que vc so perdeu seu tempo,fala serio,a gente te que ficar lendo e lendo,isso irrita,cara eu nao te conheço mais se eu fosse vc melhorava esse blog "
Daniela | 30-12-2004 21:36:17
"Daniela, lamento muito que você não tenha gostado porque aqui você tem que ficar "lendo, lendo, lendo" e você se irrita com isso. Muito triste. Da próxima vez, além de ler e ler, tente entender o que leu, deve ajudar. Infelizmente, nada podemos fazer, o blog continuará tendo textos (bons textos), cheios de letrinhas e pontinhos. E não há outra forma, como não dá para comer, o jeito é ler mesmo. :) Edmund, por favor, não mude nada neste lugar. Feliz 2005 a todos!! "
Josephine ButterFly | 31-12-2004 12:25:59
"coitada dessa tal Daniela...coitadinha dela "
Tustra | 03-01-2005 21:34:08
"oh, Daniela, cara mia... inveja corrói o espírito, hein? francamente...ei,Edmund, sempre passo por aqui, pois costumo selecionar boa leitura ! continue assim, pois queremos ler, ler, ler e reler as coisas mirabolantes que saem ,literalmente, de sua cachola! "
naura stella de rese | 12-01-2005 23:31:29
postado por: EDMUND BONAPARTE 12:24 AM
Alucine aqui você também:
Terça-feira, Dezembro 07, 2004
A Raposa E O Leitão, Uma Fábula Cruel E Desumana Com Requintes De Educação
O leitão chafurdava esfuziante em sua pútrida poça. A Raposa, ávida por descobrir a natureza das coisas e seus mecanismos de funcionamento, rondava o pequeno suíno em busca de informações (obviamente que o fazia com propósitos escusos e egoístas, típicos da pérfida personalidade que para tal espécie é automaticamente outorgada em qualquer fábula que se dê o devido valor).
- Por obséquio, Sr. Leitão, aborrecer-te-ia dizer-me por que te banhas em tão degradante fluido? - Argüiu o canídeo.
- Porque, insidiosa criatura dos bosques, este argiloso líquido enche-me de satisfação e renova-me o espírito. Porque, posso verdadeiramente dizer, é simplesmente lama, e eu a amo, e ela me ama.
Diante de tal revelação a Raposa logo conjecturou uma oportunidade:
- Peço-te que não me entendas mal, Sr. Leitão, entretanto parece-me estranho que te contentes com tão pouco. Acompanha-me em incursão pela mata e, tão certo quanto da inevitabilidade do alvorecer, mostrar-te-ei um inacreditável barreiro que te fará perder a lembrança deste no qual imerges teu untuoso corpo.
O leitão, pressentindo vilania nas idéias do suposto filantropo, indagou:
- Não intentas porventura me inebriar o intelecto e, desviando-me de minha natural prevenção, iludir-me com astuto ardil, para que, conduzindo-me a lugares desconhecidos, craves teus dentes em meu corpo e, rasgando-me as carnes, nutra-se de minha substância?
- Pela minha honra, dou-te a palavra de que encontrarás em meus conselhos celestial lugar para que teu contento seja completo e teu deleite, eterno. - Proferiu a Raposa, com sua pata direita sobre o peito.
- Sair de minha segura cacimba pela simples promessa de uma terra onde verte lama sem fim não é, em verdade, meu apropriado
modus operandi quando, em agravante à situação, a jura me é firmada por um representante de uma espécie notoriamente matreira. - Retrucou o Leitão.
- Lamento profundamente que a fama de minha ascendência suscite reservas quanto à minha boa-fé. Entretanto, vejo-me obrigada a alertá-lo de que em breve a primavera nos deixará, e o verão, impassível, roubará a umidade de tua lama. E quando o sol fustigar-te impiedosamente o lombo certamente irá lembrar-te de minhas palavras, mas distante já estarei e por ti nada mais poderei fazer. Todavia - complementou -, se é assim que desejas, não mais te perturbarei. Desejo-te um bom dia e, se possível, um bom verão, Sr. Leitão.
E então se pôs em retirada a Raposa, lentamente, agindo como quem de sua própria vida cuidava. No entanto, o fazia espiando de soslaio, ansiando por alguma reação do enlameado suíno.
- Minha lama! Minha lama! Minha lama! Ai, minha lama! - Era só o que pensava o atribulado Leitão.
Espera, cara Raposa, não partas! Sua palavra de persuasão encontrou abrigo em minh'alma e o temor que dela proveio o meu espírito absorveu. Leva-me, rogo-te, ao maravilhoso lamaçal, pois em sua honra deposito minha confiança.
A Raposa suspirou discretamente, externando seu alívio, e pela mata adentrou a improvável dupla. Conduziu então o crédulo Leitão para um canto escuro do bosque, e quando a trilha se extinguiu, no final da inexpugnável ravina, a Raposa declarou:
- Por fim chegamos, Sr. Leitão, e aqui encontrarás o teu prometido repouso.
O Leitão, olhando para a uma fossa que se agigantava a sua frente, exteriorizou:
- Eis que me sobrevém grande espanto! Onde, repito, onde se oculta o paraíso que me prometeste, falaciosa Raposa? Somente vejo uma abominável fenda repleta de ossadas!
- Pois certo é que a elas irá juntar-se a tua, pois te darei a celestial morada que te afiancei, e isto o farei agora!
A Raposa mal terminara sua mefistofélica revelação, quando saltou por sobre o Leitão.
Porém, contrariando as mais otimistas previsões, a Raposa viu-se firmemente agarrada por uma armadilha para ursos, e, impossibilitada de se mover, lamentou sua triste sorte:
- Ai de mim! Que bestial criatura armaria tão grotesco engenho para capturar ursos se por aqui tal animal não habita? E agora, por culpa dessa irracionalidade, encontrarei meu fim de ignóbil jeito, quando de mim sobrar apenas uma carcaça presa a este sanguinolento instrumento.
Criatura malvada e embusteira! Espero que teu sofrimento seja infinito enquanto dure!(*)
Ganhas por tuas mãos o destino que me preparavas! - Bradou o Leitão.
E, dando as costas violentamente, tomou o rumo de volta à sua poça. A Raposa rapidamente concatenou:
- Sim, caríssimo Leitão, e menos que tal desfecho minha existência não merece. Durante meu tempo nesta terra, somente aos meus caprichos atendi. Desfrutei do que não me pertencia e a ninguém prestei ajuda. Não há castigo neste mundo que redima o que para trás deixo.
Não resistindo ao impulso, o Leitão coloca suas orelhas em pé, curioso com a surpreendente confissão.
- E, para afligir-me ainda mais o coração, sei que eu jamais terei outra chance de uma vida decente construir. Lamento-me com abissal profundidade por não ter, ao menos, mostrado-te o paradisíaco lamaçal. E agora, por minha fraqueza de espírito, morrerei em indescritível sofrimento, sabendo das aflições que me reservam os próximos momentos, e das que te reserva o futuro.
- Futuro? Minha lama! Minha lama! Minha lama! Ai, minha lama! - Aterrorizou-se em pensamento o Leitão, e, aos gaguejos, apavorado com o que lhe sobreviria no verão, disse:
- Convenhamos, dona Raposa, creio firmemente que o futuro, de fato, não precisa desenrolar-se em tão densa negritude. Porventura não podemos, nós dois, fazer um novo e incorruptível acordo?
- Não creio que tal possibilidade exista, Sr. Leitão, pois meu tempo já chega ao fim e, se ainda me permite a súplica, gostaria somente de ganhar teu perdão pelos males que te fiz e assim acalmar minha flamejante consciência. Perdoa-me também, caro Leitão, pelo bem que jamais poderei fazer-te. - Clamou, já quase sem ar um seu comprimido corpo.
- Não morras, dona Raposa, por favor, não morras! Eu te perdôo, todavia não inventes de morrer em tão má hora!
O Leitão correu em busca de um fragmento arbóreo para utilizar como alavanca para afrouxar o tenaz dispositivo.
- Força, dona Raposa, força! O aparelho não te perfurou o couro, pois a folga que nele há é o bastante para somente comprimir-te o delgado corpo, embora ao extremo, de forma que viverás se pudermos logo daí retirar-te. Quando me ouvir contar o três, exerça pressão com o que resta de tuas forças e liberta-te do cativeiro, pois afastarei as metálicas mandíbulas com todo meu vigor. Eis que é um!... Eis que vem o dois!... E eis que chega o três!!!
A Raposa, quase em inconsciência, caiu ao solo. O Leitão, radiante pela façanha realizada, veio em socorro. Claudicante e atordoada, a Raposa lentamente ergueu-se, sorriu fraternalmente para o Leitão e abocanhou-lhe o pescoço.
Moral: É uma tristeza enorme esperar bom senso de quem teima em ter espírito de porco.
(*) o Leitão estava inspirado com algumas poesias de Vinícius de Moraes que lera alguns dias antes.
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Comentários deste post (o haloscan os deleta, de tempos em tempos):
"Maravilhoso como de costume.Desconfiei por um segundo,que o paradisíaco lamaçal fosse aqui na america, lá pelo norte.
Grande abraço"
gabriel | 12.08.04 - 9:26 am
"Pelo norte, Gabriel? O lamaçal está muito mais perto...
Ed, como sempre maltratando os pobres animaizinhos. Suas fábulas são sempre incrivelmente bem escritas, porém terrivelmente cruéis. Embora em sua profunda ingenuidade, o leitão estivesse sujeito à velha lei do mais forte.
A moral, como sempre, perfeita. Continua sendo meu escritor preferido. :) Beijos!
E vê se atualiza com mais frequência para que não precisemos ser submetidos aos torturantes reloads em vão."
Van Lampert | 12.08.04 - 1:38 pm
"Uau!"
Alencar | 12.09.04 - 12:28 am
"Oioioooi!!! essa 'e a 1a.vez q acesso o seu blog e simplesmente ADOREI.Se nao for pedir muito,POR FAVOR da um pulinho no meu HUMILDE blog e deixa uma mensagem de incentivo pra mim,OK?!"
NANDOCA78
"Brilhante, Edmund, como sempre. Amei. De suas melhores fábulas.
Sabemos que textos são bons quando eles nos trazem um sorriso que nos acompanha por todo um dia, e sempre que nos lembramos deles :)"
Laly | 12.14.04 - 2:17 pm
"caro Edmund,não pare de escrever jamais. as coisas bem feitas devem sempre ser...feitas!a fábula é isso...parece cruel...mas bem que o leitao mereceu a mordida!ahahahah!!!!!!!!uma vez raposa..."
naura stella de resende matius | 12.16.04 - 11:04 pm
"Aí se encontra uma fábula de abissal profundidade."
Tustra | 12.19.04 - 2:10 pm
postado por: EDMUND BONAPARTE 6:53 PM
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