Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?
Quinta-feira, Março 31, 2005
Provérbios Analisados (Com Proverbial Paciência)
"A cavalo dado, não se olham os dentes."
Mas é claro! Jamais faça isso, em hipótese alguma! O bichinho todo assustado pela mudança de dono e por todas as conseqüências disso e você ainda quer enfiar a mão em sua boca (na boca dele, é claro)? Ao menos espere que ele se adapte à nova casa.
"A esperança é a última que morre."
Mas indiscutivelmente morre.
"A galinha do vizinho é sempre mais gorda."
Nesses casos convém perguntar imediatamente ao vizinho qual é ração que ele está dando.
"Alegria de pobre só dura um dia."
Ou menos...
"Amigo irado, inimigo dobrado."
De amigos irados eu não tenho muito conhecimento, mas o inimigo mais dobrado que eu já ouvi falar foi um tal contorcionista do circo de Moscou.
"A ociosidade é a mãe de todos os vícios."
A maternidade dos vícios é um assunto delicado, quase de família. Pesquisas genealógicas recentes apontam novos caminhos ao sugerir que os vícios descendem de inúmeras fontes, e não somente da ociosidade. Prova disso são os próprios pesquisadores que admitem, sem nenhum vício de linguagem, que ficaram viciados no assunto, mesmo que ele tenha dado um trabalho danado.
"A pressa é inimiga da perfeição."
Como não existe perfeição nesse mundo, vê-se claramente que a pressa é inimiga de um conceito utópico e fantasioso. Assim sendo, qualquer psiquiatra recém formado poderia atestar que a pressa é louca, tornando então redundante a expressão "Estou com uma pressa louca".
"Aqui se faz, aqui se paga."
Não representa a verdade na maioria dos casos, servindo muito mais para alívio psicológico momentâneo das massas oprimidas. Aplica-se muito bem, no entanto, nos casos onde se cobra o uso dos banheiros de rodoviária.
"A situação faz o ladrão."
No Brasil geralmente o ladrão se faz com a situação.
"Até os prédios mais altos começam de baixo."
Exceto os que são construídos nos morros.
To be (or not to be?) continued...
postado por: EDMUND BONAPARTE 10:54 AM
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Terça-feira, Março 22, 2005
O Pior Dos Enganos (Quase tão ruim quanto marcar a letra errada na folha de respostas para uma questão que você SABIA a resposta)
As coisas nesse mundo passam a uma velocidade estonteante. E essas coisas geralmente são representantes daquela espécie de coisas que depois que passam não costumam passar novamente. São coisas daquele tipo de coisas que passam por você correndo e logo em seguida mostram a língua, dizendo: "Dançou, meu chapa! Hehehe". Que coisa.
É bem verdade que algumas coisas que passaram costumam passar de novo, tais como novelas antigas no "Vale a pena ver de novo" ou um filme passado e repassado na "Sessão de tarde".
[Aqui abro breves colchetes - ultimamente tenho evitado abrir breves parênteses -, pois a nostalgia me pega pelo braço, me sacode com moderada violência e me pergunta: Você se lembra das tardes legais assistindo a "Sessão da tarde"?... Sim, é claro, - eu respondo à indócil nostalgia - como eu poderia esquecer logo da "Sessão da tarde"?... Porém, faz tanto tempo que não assisto que nem sei mais se ainda existe ou não. E por falar nisso, eu gostava muito quando passava a "Fantástica Fábrica de Chocolate", ou "Guerra nas Estrelas", ou "O enigma da pirâmide", ou tantos outros ous que nem me lembro mais.]
Porém, outras coisas, talvez grande parte delas, passam e nunca mais voltam. Nunca mais!
[Novamente abro breves colchetes para que você pense bem no termo "Nunca Mais", medite no seu conceito e reflita na infinitude de sua duração e no impacto que isso causaria na sua limitada e relampejante existência. Só não pense muito que a gente não tem muito tempo e tempo é dinheiro. E por falar nisso, aceito doações de tempo.]
E como algumas coisas nunca mais voltam, é no mínimo pouco esperto deixar que passem e nos mostrem a língua. É óbvio, ou não, que não quero dizer com isso que devemos viver desesperados para pegar todas as coisas que aparecem pela nossa frente. Só digo que certas coisas se perdem simplesmente por que ficamos parados, observando.
É como um carrossel enlouquecido no qual devemos entrar. Não sabemos quem o fez, quem já está andando lá, ou quando começou com seus furiosos rodopios, mas sim, temos que entrar. Não importa que sua velocidade venha a nos atirar por sobre os cavalos e quebrar os nossos ossos, não importa se o giro alucinado nos queira arremessar pela tangente e nos espatifar contra os muros, nada disso importa. A única coisa que importa é não ficarmos lá parados, catatônicos, mentecaptamente hipnotizados, olhando as coisas passarem, nos mostrando a língua (detesto quando elas fazem isso), enquanto o inflexível bicho-papão chamado eternidade vem nos perguntar o que fizemos com o pouco tempo que nos deu.
É de dar medo. Felizmente detesto carrosséis e não acredito em bicho-papão.
postado por: EDMUND BONAPARTE 8:35 PM
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