Blogs Alucinados


Josephine


Eu poderia descrever melhor o rumo que meu blog vai tomar, mas... afinal, quem sou eu mesmo?



Domingo, Outubro 16, 2005



A Grande Questão

Um indivíduo claramente confuso e extremamente questionador, enviou-me um e-mail com uma pergunta bastante abrangente. Como alguém me disse que esta é uma dúvida que assola grande parte da humanidade, resolvi publicar aqui minha resposta, esperando que ela amplie os horizontes de quem ainda turba sua alma com esta secular questão:

- Por que a galinha atravessou a rua?

Infelizmente não dá para responder essa questão sem levar em conta o contexto exato desse acontecimento. Se eu fizer, ficará somente na mera especulação.

Só essa frase, isolada, pode nos levar a inúmeras interpretações, conforme a idéia pré-concebida que temos da galinha. Acabaríamos por ficar julgando a pobre ave conforme os nossos próprios entendimentos, o que certamente não é algo bacana para se fazer com uma espécie já tão vilipendiada ao longo dos milênios.

O sujeito que menospreza as galinhas e as considera acéfalas, teria imaginado a ave atravessando a rua por suas próprias pernas para ser atropelada logo em seguida, sofrendo o destino que ele julga que de toda a galinha merece. Um sujeito comilão teria visto o galináceo atravessando a rua em desespero, fugindo do cozinheiro que o desejava assado no forno. Um indivíduo deprimido, teria suposto que o emplumado ser atravessou a rua porque não via mais sentido naquele lado onde estava. Um sujeito devasso teria imaginado a galinha atravessando a rua para se encontrar com os galos do outro lado e cair na farra. E assim por diante.

Enfim, sem um contexto, só mesmo a galinha sabe com certeza porque raios ela acabou atravessando a rua.

Ou talvez nem ela.


Ps: Espero ter sido espantosamente esclarecedor em minha resposta.

postado por: EDMUND BONAPARTE 3:46 PM



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Sábado, Outubro 01, 2005

O Desarmamento

Segundo fui informado - sim, ultimamente, e para minha vergonha, tenho andado muito desinformado -, o plebiscito que se realizará no dia 23 de Outubro não terá como objetivo somente a votação de "sim ou não" ao desarmamento, mas se somos a favor ou contra a aceitação integral do código que regulamenta o comércio e o uso de armas de fogo no território nacional.

Mais especificamente, o referendo dirá se somos a favor ou não do artigo 35 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, popularmente chamada de "Estatuto do Desarmamento". E como tal, essa Lei é repleta de capítulos, seções, artigos, parágrafos e outras entidades místicas que podem ou não trazer consigo terríveis vilanias ou dadivosas benevolências ao finalmente interagirem com fração até então adormecida.

Embora a experiência única que é morar no Brasil me leve a crer na primeira opção (terríveis vilanias), devo admitir que ainda não li o mencionado código, tampouco o latente artigo - terrível pecado do qual tratarei de me penitenciar o mais brevemente possível - e, portanto, todo julgamento que eu fizer nesse momento poderá estar irremediavelmente afetado pela minha desmedida ignorância.

É extremamente provável que depois que eu o leia, ainda assim continue desmedidamente ignorante sobre suas reais seqüelas. E que tal situação não afete somente a minha pessoa, mas que seja uma onda coletiva. E se for assim, tal ignorância será remediada unicamente pelo tempo, quando então nos serão revelados os maravilhosos avanços ou os pestilentos retrocessos sociais, frutos das implicações da nossa escolha. É igualmente possível que acabe tudo no zero a zero, mas deixo essa opção para quem venha a se sentir mais confortável na coluna do meio.

Portanto, pensemos bem no que vamos fazer no dia 23. Ou não, pois quem, com certeza, pode afirmar o que é melhor?

Em todo o caso, para os penitentes como eu que desejam esmiuçar as linhas do contrato antes de assiná-lo, aqui está o link para o código.


Alucinadas saudações a todos e a lembrança de que a Austrália ainda é uma boa opção.

postado por: EDMUND BONAPARTE 8:36 PM



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